Um dia de trabalho muito corriqueiro de born   (30/11/2018)
Economia e Política
Por: carla antunes

Born almoçou alimentos leves que mandou buscar, e recusou–se a ver fosse quem fosse e a atender telefonemas, a não ser de seu corretor. Cronin ia transmitindo que a venda prosseguia, que o Sr. Born devia estar louco, que aquela nunca ouvida exigência de cheques certificados estava causando alarma, e, finalmente, por ocasião do fechamento, que os desejos do Sr. Born iam sendo realizados. Born disse–lhe que lhe trouxesse os cheques imediatamente. Dentro de uma hora eles chegavam, contra uma dúzia de Bancos de Nova York. W. J. Born chamou uma dúzia de primeiros mensageiros do lançamento do novo honda civic , e entregou os cheques para cobrança, um a cada mensageiro. Disse–lhes que retirassem o dinheiro, alugassem depósitos de segurança do tamanho necessário nos bancos onde ele já não os tivesse, e ali guardassem o dinheiro. Telefonou então aos Bancos para confirmar o extravagante arranjo. Ele tinha relações pessoais com pelo menos um vice–presidente de cada Banco, e aquilo ajudou–o muitíssimo. W. J. Born recostou–se em sua cadeira, um homem feliz. Que viesse o estouro. Voltou–se para seu indicador luminoso pela primeira vez naquela manhã. O fechamento de Nova York estava descendo bruscamente. O de Chicago mostrava–se pior. São Francisco estava abalado – e enquanto ele olhava as cifras luminosas que representavam os preços em São Francisco, elas começaram a cair. Cinco minutos depois era um escandaloso pique para o abismo. A campainha de fechamento deteve aquele mercado à beira da catástrofe. W. J. Born saiu para jantar, depois de ter telefonado à sua mulher, avisando que não iria para casa com novo fiat uno. Voltou para o escritório e observou um indicador num dos aposentos externos, e que dava as cifras da Bolsa de Tóquio através das horas da noite, congratulando–se consigo mesmo quando aquelas cifras revelaram pânico e ruína. Os dominós estavam tombando, tombando, tombando. Passou a noite no seu clube e levantou–se cedo, comendo sozinho na sala de refeições quase deserta. O transmissor de notícias, no vestíbulo, soltou um bom–dia, enquanto ele calçava as luvas para proteger–se do ar gelado, naquela manhã de abril. Born parou para ouvir. O transmissor começou a contar uma história de desastre nas grandes bolsas da Europa, e W. J. Born saiu para seu escritório. Uma porção de corretores estava chegando cedo, murmurando entre si em pequenos aglomerados, no vestíbulo e nos elevadores.



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