UM ATEU GRAÇAS A DEUS - O QUE É A VERDADE?   (07/09/2015)
Religião
Por: João de Freitas Pereira

UM ATEU GRAÇAS A DEUS - O QUE É A VERDADE? -- 19/07/2001 -


 
 

Lida propriamente, a Bíblia é a força mais potente para o ateísmo jamais concebida. (Isaac Asimov - prêmio Nobel)

 

Quando me tornei ateu pela leitura da Bíblia, não conhecia essa frase.  Mas pensei exatamente o que pensou Isac Asimov. Pois nada me deu mais prova da inexistência do deus judaico-cristão do que o livro que dizem ser palavra dele. 

 

"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (S. João, 8: 32). 
É este o lema de todas as religiões. Cada uma é dona da verdade. No entanto, todas se contradizem. Destarte, permanece no ar a dúvida e a pergunta: "Que é a verdade?" (S. João, 18: 38). 

O que me fez sentir-me mais distante da verdade não foram as opiniões contrárias das religiões, mas as existentes na própria Bíblia, que, segundo todas as religiões, contém palavras divinamente inspiradas. 

"É a Bíblia um livro coerente, sem qualquer contradição". É a afirmação que sempre se ouve dos pregadores religiosos. Recebi a idéia e assim pensei, porém, ao estudar atentamente, não consegui manter a mesma linha de pensamento. Contradições saltavam aos meus olhos, e, quando pedia explicações aos mestres religiosos, suas explanações me soavam distonantes, não me convencendo da pretensa harmonia. Inicialmente, não conseguia entender como seria bom (Salmos, 34:8), perfeito (Mateus, 5: 48) e justo (Salmos, 145: 17) um deus que “visita a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração” (Deuteronômio, 5: 9). O homem imperfeito de hoje, pelo menos em teoria, repudia essa idéia, prescrevendo que “nenhuma pena passará da pessoa do condenado” (Constituição Brasileira/88, art. 5º, XLV). Outro questionamento não se afastava do meu íntimo: Deus falava pessoalmente com Abraão, Isaque, Jacó e outros, e Cristo se manifestou para converter Saulo no caminho de Damasco. Por que Deus não fala hoje com ninguém, e como Cristo não vem mostrar a verdade para tantas pessoas sinceras pertencentes a doutrinas errôneas? Entre tantos credos divergentes, seria insensatez crer que todos estão com a verdade, enquanto cada religião considera anticristã a opinião contrárias das outras, sendo uma classificada por outra até como a Besta do Apocalipse. Tanto orava para que Cristo me mostrasse, pelo menos em sonho, quem estava com a verdade, contudo nenhuma revelação recebia. 


A EXPERIÊNCIA RELIGIOSA 
OS PRIMEIROS ENSINAMENTOS RECEBIDOS 

Nascido de família católica, conhecedor do catecismo, até 1975, cria ser o PAPA o representante de Cristo. 

Aprendi que o pecado original foi a relação sexual, e que José nunca possuiu Maria como esposa; Maria é a mediadora da salvação; que o batismo é imprescindível, tendo João batizado Jesus e Jesus batizado João. 

O pouco que cheguei a ler a Bíblia foi suficiente para constatar que tudo isso não era verdade: Se Deus disse "sede fecundos, multiplicai e enchei a terra", antes de existir o pecado (Gênesis, 1: 27 e 28), não podia eu imaginar que ele quisesse que o homem se multiplicasse por cissiparidade, como as bactérias. Quanto a Maria, se "José ... recebeu sua mulher, contudo não a conheceu até que deu à luz um filho a quem pôs o nome de Jesus" (Mateus, 1: 24 e 25), não resta dúvida de que sua abstinência de relações sexuais teria tido um limite: ele a tomou como esposa e absteve de relações sexuais apenas "até que deu à luz um filho", ao contrário do ensinamento recebido. Nenhuma menção de Jesus batizando João existe na Bíblia, e não pode ser correto o batismo de crianças, por elas não estarem aptas a "crer" (Marcos, 16: 16) e passar pela "indagação de uma boa consciência para com Deus" (I S. Pedro, 3: 21). 

RECEBENDO NOVA DOUTRINA 

Através de minha irmã que conheceu a Igreja Adventista do Sétimo Dia, chegou-me a informação de que o chamado Vicarius Filii Dei, era a "besta" do capítulo 13 do Apocalipse; que o "sinal da besta" era a guarda do domingo, sendo a guarda do sábado o “selo de Deus” (Apocalipse 7: 3 e 4). Conheci a interpretação da profecia de Daniel, capítulo 7, no livro Pelos Meandros do Mal. “Um tempo, dois tempos e metade de um tempo" teria sido de 538 a 1798 A.D., período em que o papa perseguia os que se opunham a seus dogmas e mudou "os tempos e a lei", alterando o limite do dia do por do sol para meia noite e trocando o sábado pelo domingo; que seu título - VICARIUS FILII DEI - continha o número da besta, que o identifica. Confiante de ter encontrado VERDADE, passei a apresentá-la para todos com quem falava. Estudava constantemente a Bíblia. 

Certo dia, escrevi uma carta a um bom amigo, bom católico, que ficou escandalizado com o que eu disse, afirmando-me que os papas eram os sucessores de São Pedro, e que sua igreja era aquela fundada por Cristo. 

Mudando para Rondônia, conheci um grupo de adventistas, os quais me afirmaram que a Igreja Adventista do Sétimo Dia já não era mais a igreja de Deus, sendo esta os remanescentes chamadosAdventistas do Sétimo Dia Movimento de Reforma. Passei a conhecer várias interpretações e histórias eclesiástica. 

Durante um bom tempo, tinha plena convicção de que estava seguindo a VERDADE e devia levá-la a todas as pessoas. Discutia muito com aqueles que não acreditavam na doutrina que eu havia tomado como a verdadeira, e, muitas vezes, até convencia as pessoas de que estava certo. 


A DECEPCÃO 

Fiz o chamado "ano bíblico", lendo toda a Bíblia. 

Ao chegar ao Novo Testamento, comecei a ter problemas como minha fé: 
Ao ler Romanos 14, procurei informações sobre o assunto ali contido, tive algumas explicações, que não me tiraram todas as dúvidas. 

Para Atos 10, encontrei explicações até bem plausíveis. 

Ao deparar com as palavras de São Paulo em Aos Colossenses, 2: 16 e 17), foi outro susto: 

Ninguém, pois, vos julgue por causa da comida e bebida, ou dias de festas, lua nova ou sábados, pois tudo isso tem sido sombras do que haviam de vir, porém o corpo é de Cristo". 

Alguém me disse que os "sábados" ali mencionados não eram o sétimo dia da semana, mas aqueles dias sagrados que também eram chamados de sábados - páscoa, dia da expiação, pentecostes, etc. (Levíticos, 23). Quando à comida e a bebida, disseram ser as ofertas de manjares e bebidas que se oferecia pelos pecados. 

Fiquei mais desconfiado daquilo em que antes acreditara tanto, porque o que me disseram ser os sábados era aqueles dias que ali estavam mencionados como "dias de festas". 

Lembrei-me de que o Velho Testamento associava a lua nova ao sábado e às convocações das congregações (Isaías, 1: 13: 14), outras vezes somente lua nova e sábado (Isaías, 66: 23). Esse último versículo é até usado para afirmar que o sábado será guardado a Nova Jerusalém apocalíptica, assunto que veremos depois. 

Não podia me convencer com suas explanações. 

O grande pesadelo foi outra predição de São Paulo escrevendo a Tomóteo: 

"...nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras, e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento, exigem abstinência de alimentos, que Deus criou para serem recebidos, com ações de graça, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom e, recebido com ações de graça, nada é recusável, porque pela palavra de Deus e pela oração, é santificado" (I Timóteo, 4: 1 a 5). 

Recebi a explicação de que o texto se referia ao celibato dos padres e aos jejuns determinados pela Igreja Católica. Não consegui aceitar que "TUDO que Deus criou é bom e NADA é recusável" significasse "SEMPRE o que Deus criou é bom e NUNCA é recusável". O jejum ordenado pela igreja não poderia enquadrar-se no texto. Eu, doravante, me achava preocupado, receoso de estar seguindo os "homens que têm cauterizada a própria consciência", ou a "hipocrisia dos que falam mentiras" e "ensinos de demônios", EM VEZ DA VERDADE. 

Permaneci em silêncio, estudando as Escrituras, e orando para que Deus me mostrasse a verdade. Passei bom tempo com este problema. 

Através de um curso bíblico das Cruzadas Mundiais de Literaturas, recebi dois livrinhos, um intitulado "O Adventista do Sétimo Dia" e outro, "O que as Testemunhas de Jeová Precisam Saber". Nada encontrei neles que elidisse minhas dúvidas, embora pretendessem combater as doutrinas mencionadas nos seus títulos. Não tive nenhum sonho que me informasse sobre o assunto, embora dormisse sempre pensando nisso. 

Certo dia, me despertei de manhã com o problema na cabeça. Comecei a ligar as passagens bíblicas e ver outro panorama. Imaginei ser o espírito divino que estivesse me fazendo entender a verdade. Tudo parecia muito claro, encontrando explicações nunca vista nas igrejas que negavam as doutrinas adventistas. Parecia-me difícil tudo aquilo ser criação momentânea de minha própria mente. 

Mas hoje tenho explicação para o que ocorreu comigo, como diz a revista Superinteressante: 

“’Enquanto dormimos, nosso cérebro conecta dados que acabou de guardar com outros acumulados no decorrer dos anos’, afirmou à SUPER o neurologista Roberto Stickgold, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. ‘Com essa rede de informações somos capazes de achar desfecho para situações que, quando estamos acordados, parecem problemas insolúveis.’ O sono expande os caminhos para a comunicação entre as regiões do cérebro.” (SUPERINTERESSANTE, nov/99, pág. 32). 

Foram estas algumas das respostas que encontrei: 

No folheto "Qual o Dia da Semana a Guarda e Por Que?", dizem os adventistas reformistas: "O sábado, por ser um sinal da criação, nada tem a ver com os judeus em particular" (pág. 2). Mas nesse dia compreendi que sim. A Bíblia informa que a guarda do sábado foi instituída pela primeira vez no deserto quando da retirada do Egito (Êxodo, 16: 5 e 22 a 30). Foi instituída como figura do livramento de Israel do cativeiro egípcio e do repouso na terra prometida, onde não puderam entrar aqueles que foram desobedientes; pois está escrito: "Assim jurei na minha ira que não entrarão no meu descanso" (Salmos, 95: 11), isto é, “não entrareis na terra, pela qual jurei que vos faria habitar nela" (Números, 14: 30), que não era o dia de descanso, mas a terra em que deviam repousar das dificuldades vividas antes, assim como do repouso prometido aos cristãos (Hebreus, 4: 1 e 2). Como Josué não pôde dar ao povo um verdadeiro repouso, a promessa foi feita novamente, aos cristãos: "Ora, se Josué lhes houvesse dado descanso, não falaria posteriormente a respeito de outro dia" (Hebreus 4: 8), o que não é outro dia de repouso em lugar do sábado como pensam os guardadores do domingo, mas outra promessa de descanso. Os filhos de Israel, "por causa da desobediência não entraram" (Hebreus, 4: 6) foi na terra prometida. "Não puderam entrar por causa da incredulidade" (Hebreus, 3: 19). Deus não iria jurar que eles não guardariam o sábado; pois a guarda do sábado não era uma promessa, e sim um mandamento. Por isto o quarto mandamento trouxe esta informação: "E tens de lembrar-te de que te tornaste escravo na terra do Egito e que Jeová, teu Deus, passou a fazer-te sair de lá com mão forte e braço estendido. É por isso que Jeová, teu Deus, te mandou observar o dia de sábado". (Deuteronômio, 5: 15 - Tradução Novo Mundo). Se tal acontecimento foi o motivo pelo qual se ordenou que guardassem o sábado, então se entende por que nunca se mencionou o sábado em relação à vida de Abraão, Isaque, Jacó, etc. A conseqüência não poderia existir antes da causa. 

Como, segundo as doutrinas de Paulo, as figuras vigoravam apenas no antigo pacto, Paulo disse: "ninguém mais vos julgue por causa" de "sábados" (Colossenses, 2: 16). Dizem que os sábados aqui mencionados são os dias comemorativos em que também haviam sábados (repousos) conforme Levíticos, 23, o que não fazem ao citar Isaías, 65: 23. Mas aqueles dias já estão mencionados no texto como "dias de festa" ("dias de festa, lua nova ou sábados" - três coisas distintas). 

Também afirmam: "O dia de repouso de Deus, o sábado, é chamado o "dia do Senhor". Comparar Apocalipse l: 10 com Isaías 58: 13 e Marcos 2: 28." (Página 2). Mas o que é "dia do Senhor" em Apocalipse? 

O termo grego kiriake emera (kiriakh emeraNovum Testamentum Graece), em Apocalipse, 1: 10, em latim é traduzido para dies dominicum, que em português é dia do Senhor. 

A versão católica do Padre Antônio Pereira de Figueiredo traduz a palavra para "dia de domingo". E, literalmente, este nome, dado ao primeiro dia da semana, é uma evolução de "dies dominicum". As igrejas guardadoras do domingo, assim como os sabatistas o aplicam ao sábado, baseado nesse sentido da palavra, falam do termo usado por João como sendo o primeiro dia da semana. Quem está certo? O que era "dia do senhor" para os apóstolos? 

Ao se referirem ao sábado, os apóstolos o chamavam pelo seu nome costumeiro: "sabbaton", forma grega do hebraico "shabath", que foi latinizada para "sabatum" e evoluiu para o italiano "sabato" e o português como "sábado" (Mateus, 12: 10; 24: 20; 28: 1; Marcos, 2: 27; 3: 4; Lucas, 4: 16; 6: 2, 5, 7 e 9; 14: 1; 23: 56; João, 7: 23; Atos, l7:2; Colossenses, 2: 16, etc.). 

Ao falar do primeiro dia da semana, tratavam-no como tal, não lhe dando nenhum título (Mateus, 28: 1; Marcos, 16: 1: Lucas: 24: 1; João 20: 1). 

O título "dies dominicum", segundo informações históricas, foi dado por decreto imperial ao primeiro dia da semana, anteriormente "dies solis" = dia do sol, quando o imperador romano se converteu ao cristianismo e a igreja criou um sincretismo de princípios cristãos e romanos. 

Os apóstolos jamais chamaram qualquer dia da semana de dia do Senhor; mas essa palavra lhes era muito familiar com outro sentido: 

"Ah! que dia! porque o dia do Senhor está perto, e vem como assolação do Todo-Poderoso" (Joel, 1: 15). "...grande é o dia do Senhor, e mui terrível" (Joel, 2: 11). "Ai de vós que desejais o dia do Senhor... dia de trevas e não de luz" (Amós, 5: 18). "Porque o dia do Senhor está prestes a vir sobre todas as nações" (Obadias, 15). "Pois eis que vem o dia, e arde como fornalha" (Malaquias, 4: 1) "O sol se converter em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor" (Atos 2: 20). "... o dia do Senhor vem como ladrão de noite" (I Tessalonicenses, 5: 2). "Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados" (II S. Pedro, 3: 10). 

Para mim não ficou nenhuma dúvida, ao lembrar esses textos, de que João estava se referindo ao que sempre chamavam de "dia do Senhor", o dia do julgamento divino deste mundo

"Em espírito", isto é, em visão, João teria presenciado o julgamento divino deste mundo, conforme vemos em todo o Apocalipse. Por isto, ele disse: "Achei-me em espírito, no dia do Senhor" (Apocalipse, 1: 10). Significa: em minha visão eu me encontrei naquele dia, quando Deus irá julgar e condenar os maus e dar recompensa aos justos. Pois é o dia do juízo divino que eles chamaram sempre de "dia do Senhor", conforme as passagens acima. 


O SÁBADO NA NOVA TERRA 

"Na nova terra, o sábado será guardado por todos os habitantes como o grande dia comemorativo do Altíssimo, pois assim diz o Senhor: "...de sábado em sábado toda carne vir prostrar-se diante de Mim..." Isaías 66:22-23" (Qual Dia Guarda e Por Que?, pág. 8). 

O texto citado diz: "de uma lua nova à outra, e de um sábado a outro" (Isaías, 66: 23).

 

Curioso é que aqui lua nova e sábado são princípios morais, para serem guardados na nova terra, mas, em Colossenses, 2: 16, são princípios cerimoniais, sem mais validade. Aqui aceitam que é o sétimo dia. Lá, dizem ser outros dias. Se o texto de Isaías justifica a guarda do sábado, também aprova a da lua nova, o que os sabatistas não guardam.  Não entendem que na Jerusalém de Isaías, haveria MORTE, PECADO e MALDIÇÃO (Isaías, 65: 20), o que não deveria haver na nova terra do Apocalipse.


As profecias de Isaías foram feitas durante o cativeiro de Babilônia. Eram promessas de restauração de Jerusalém após se livrarem daquele império, mas não a mesma do Apocalipse.  


A COMIDA 

Antes do Êxodo, já havia a classificação dos animais limpos e imundos (Gênesis, 7: 2). Era necessária esta distinção quanto aos holocausto, que deviam ser de animais considerados limpos - símbolo de justiça - e não animais imundos - símbolo de pecado - (Gênesis, 8: 20). 

Porém, quanto aos alimentos, somente depois do dilúvio encontramos ordem divina para se comer carne. “Tudo o que se move e vive ser-vos-á por alimento", parecendo não haver distinção entre limpos e imundos quanto a comer sua carne (Gênesis, 9: 3). O sangue, porém foi proibido como alimento (versículo 4). Esta proibição nos reforça a idéia de que não se tenha proibido carne desse ou daquele animal; pois, se o fosse, a proibição estaria ao lado da do sangue. 

Ao separar o povo de Israel dos demais povos, ter-se-ia criado na alimentação o princípio típico da separação dos alimentos, assim como do povo. Uma separação compreendida pelos apóstolos cristãos, quando passado o tempo das figuras (Atos, 10: 14, 15, 28 e 34; 11: 3 a 18). 

"Eu, o Senhor vosso Deus, vos separei dos povos. Fareis, pois distinção entre os animais limpos e imundos, e entre as aves imundas e as limpas ... as quais cousas apartei de vós, para tê-las por imundas... e separei-vos dos povos, para serdes meus" (Levíticos, 20: 24 a 26). 

Do texto acima, é fácil se deduzir que a interpretação cristão é de que a separação entre esses e aqueles animais era típica da separação entre o povo de Israel e os demais povos; pelo que, quando chegou o tempo em que não mais se faria distinção entre israelitas e gentios, o princípio típico não mais teria razão de ser. As palavras "as quais coisas apartei de vós para tê-las por imundas" significam que aquelas coisas foram separadas do povo separado, isto enquanto tivessem de estar separados. Isso fica bem claro na visão de Pedro. Para lhe mostrar que não havia mais essas separação dos povos, lhe foi ordenado matar e comer todos os tipos de animais (Atos, 10: 10 a 13). Pedro recusou-se, dizendo que jamais havia comido "coisa alguma comum ou imunda" (versículo 14). Por três vezes lhe foi dito: "Ao que Deus purificou não consideres comum" (Versículos 15 e 16). E ele entrou na casa de gentios e comeu com eles (Atos, 11: 3). Ele entendeu bem a mensagem, sabendo que não mais vigorava a distinção, tanto da coisa figurada como da figura, isto é, tanto a separação entre os povos quanto entre os alimentos. Isto também foi acentuado por Paulo escrevendo aos colossenses: "Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida... porque tudo isso tem sido sombras das cousas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo ... Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens?" (Colossenses, 2: 16, 17 e 20). 

Quando houve controvérsia doutrinária, ensinando alguns que os conversos ao cristianismo se deveriam circuncidar e observar a lei (Atos, 15: 5), "pareceu bem aos apóstolos" enviar algumas instruções sobre do que deveriam os cristãos se abster. Entre as abstenções, estavam a abstinência das "coisas sacrificadas aos ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados" (que normalmente fica impregnada de sangue), não havendo nenhuma referência a animais imundos (Atos, 15: 22 a 29). Mais uma prova está aí de que a distinção entre limpos e imundos, como típica, no entender dos cristãos primitivos, não mais vigoraria para eles. 

Escrevendo aos romanos, Paulo afirmou: "Eu sei e disso estou persuadido no Senhor Jesus, quenenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura" (Romanos, 14: 14). Aquele que crê de modo diverso e não come essa ou aquela coisa, segundo ele, não está pecando, mas estará se julgar o que assim o faz (Romanos, 14: 2 a 6). "Todas as coisas, na verdade, são limpas, mas é mau para o homem o comer com escândalo. É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra cousa com que teu irmão venha a tropeçar [ou se ofender, ou se enfraquecer]", disse ele (Romanos, 14: 20 e 2l). Não queria dizer, como algum dizem, que, se é bom não comer carne em beber vinho, comer carne e beber vinho é ruim; pois ele mandou um dos presbíteros tomar um pouco de vinho (I Timóteo 5: 23). Seu raciocínio era o de que, quando há alguém se escandalizando por causa de certa práticas por não compreendê-las, melhor é não fazê-las diante deles. 

Vendo assim essas coisas, mostrei para minha família e para um dos irmão de fé‚ que sempre considerei muito sincero. Eles todos concordaram plenamente comigo. Chegando o fato ao conhecimento da Igreja, foi um pastor tentar desfazer o que eu havia explicado. Aqueles que estavam de mente aberta para entender o sentido das coisas não ficaram convencidos com o que ele disse; mas os mais firmes na fé, como é normal em religião, permaneceram crendo naquilo que a igreja ensinava. E, como eu não queria abalar a fé das pessoas, passei a evitar a propagação dessas informações. Dias depois, um membro da Igreja encontrou-se comigo e me disse: "Vou fugir de você; pois você está com o demônio!"; e ele saiu correndo. Examinei o que pregavam muitas outras igrejas; porém em cada uma delas achava doutrinas que não conseguia harmonizar com os textos bíblicos. 

Até esse tempo, eu continuava acreditando que havia a "A VERDADE" na Bíblia. Continuando a indagar comigo mesmo sobre quem estaria com a verdade, estudei e interpretei até me cansar e nunca mais consegui encontrar qualquer ensinamento que pudesse imaginar ser A VERDADE, o caminho ensinado divinamente. 

Em tudo que analisava, via produtos das falhas idéias humanas e não algo superior como dizem ser a verdade de Deus. O mais marcante foi que, tentando encontrar uma doutrina perfeita, comecei a encontrar contradições insolucionáveis na própria Bíblia. 


AUMENTO DA DÚVIDA E A CONCLUSÃO CONTRÁRIA 

Diante das contradições, não só das religiões, mas também da própria Bíblia, sofri mais um abalo na fé: já não tinha mais segurança nem da existência do próprio Deus. 

Por mais que buscasse evidência de algo sobrenatural, nenhum indício conseguia encontrar. Meditando sobre os fatos e coisas existentes ao meu redor, nada conseguia ver que não fosse coisa natural. 

A afirmação de que uma natureza tão perfeita tinha que ter um criador não poderia ser suficiente para me convencer da existência deste; porque este também teria que ter sido criado por outro e assim sucessivamente. Se existisse um criador não criado por outro, por que não ser a própria natureza desenvolvida ao acaso? Isso, por si só, não pode provar a existência ou inexistência de algo sobrenatural. 

Se os escritores bíblicos se contradisseram e desconheceram realidades naturais como qualquer outra pessoa da época, como poderiam suas declarações advirem de um Deus onisciente? 

Não tendo sofrido influência de qualquer obra ateísta, jamais tendo adquirido um livro do gênero antes de escrever o meu, porém ateizando-me ante a impossibilidade de aceitar as afirmações consideradas palavras de Deus, achei não haver melhor maneira de definir minha posição filosófica, como disse Luis Buñuel, como ATEU GRAÇAS A DEUS.

 

Só muito tempo depois, eu fui perceber que, o cristianismo se formou em cima da doutrina de Paulo, mas outros autores do Novo testamento tentavam manter toda a doutrina dos livros sagrados que hoje chamam de Velho testamento.  Dois testamentos é criação cristã.  Nenhuma previsão existiu de que um dia os sacrifícios de animais seriam substituído pelo de um deus filho.  Aquele argumento de que os ritos mosaicos eram figuras do que estava para vir foi também invenção paulina.

 

Eu passei quinze anos calado, tentando não divulgar minha conclusão de que não existe nenhum deus, porque imaginava que muitas pessoas iriam se desesperar ao saber que não havia nenhum ser sobrenatural onipotente protegendo-as e que não haveria essa vida eterna e sem sofrimento que eles esperam. Todavia, chegou um dia em que não consegui mais ocultar a minha conclusão, e escrevi o livro "Ateu Graças a Deus".

 

 

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