RELIGIÃO E CIÊNCIA, O GRANDE CONFLITO   (30/08/2015)
Religião
Por: João de Freitas Pereira

O homem primitivo povoou os céus e a terra de numerosas entidades sobrenaturais, e o deus adotado pelos judeus e depois pelos cristãos e pelos muçulmanos foi imposto em todos os continentes por meio da ameaça, da prisão, da tortura e do assassinato.  Mas, quando o homem fez ciência e começou a ver mais longe e descobrir o passado, viu também que a onisciência do deus judaico-cristão não supera o limitado conhecimento dos povos de três mil anos atrás.  Aí se estabeleceu o grande conflito, que atualmente religiosos tentam encobrir, mas se torna cada vez mais evidente.

 

Como o primeiro dos dois contos bíblicos da criação dize que Yavé fez todos os outros seres vivos, vindo depois a fazer o homem "à sua imagem", levando-se em consideração o tanto de animais que tinha representações esculturais como objeto de culto, é possível deduzir-se que os povos primitivos politeístas imaginaram que cada animal existente fosse a representação de um deus.

 

Análises arqueológicas informa que o homem começou a migrar da África para outras regiões cerca de cinquenta mil anos atrás, e há vinte mil anos já estava na América. E, tais quais os povos do Oriente Médio e de outras regiões, os povos americanos tinha a mesma crença que sacrificar vidas humanas satisfaria os deuses.  Isso nos indica que essa ideia partiu dos primórdios da humanidade.

 

Embora o Cristianismo tenha adotado o mesmo deus do Judaísmo, trouxe uma importante mudança, deixando de sacrificar animais, tendo como suporte o mito de que um judeus gerado por Yavé e uma mulher judia virgem se ofereceu em sacrifício pelos pecados da humanidade.  E, como o Cristianismo medieval dominou os países europeus, os quais colonizaram o mundo quase inteiro, pouco restou das religiões que usam animais como pagamento dos próprios erros; mas muitas delas, embora um pouco menos significantes, sobrevivem.

 

Enquanto a ciência era bem incipiente, não havia problema entre ela e a religião.  Tudo que o livro sagrado dos judeus e cristãos diz era a verdade divina, ninguém questionava.  Mas um grande conflito teve início quando Nicolau Copérnico descobriu que a Terra não é o centro do universo.  Seu livros foram proibidos, pois contrariavam a verdade divina.   Posteriormente, Galileu Galilei foi duramente perseguido e, para não morrer queimado, teve que se retratar de suas afirmações de que a Terra é que gira em torno Sol. Giordano Bruno, que não quis se retratar virou churrasco para o deus que se compraz com o cheiro de carne queimada.  

 

Esses homens que sofreram a ação da igreja não eram ateus.  Ele acreditavam no deus da Igreja, mas descobriram realidades incompatíveis com a palavra desse deus, e até tentaram harmonizar suas descobertas com o livro sagrado.  Mas a igreja, vendo aí um perigo para fé, não se convenceu com o que eles diziam.

 

Enquanto estava só no campo da Astronomia, a coisa não parecia tão grave.  O conflito mais sério veio no âmbito da Biologia.  Quando Charles Darwin percebeu que os seres vivos são todos proveniente de uma única célula que surgiu há bilhões de anos, aí é que a casa caiu mesmo.  Ser parente de macaco?  Essa não!  Se a palavra divina diz que todos os seres vivos foram criados cerca de seis mil anos atrás, e o homem foi feito à imagem de Deus, como aceitar uma afirmação dessa? 

 

Charles Darwin, por sua vez, não teve que enfrentar a fera que perseguira antes os astrônomos.  Em seu tempo, a Igreja já não tinha mais aquele poder de morte sobre seus adversários; o papa já tinha perdido aquele poder absoluto que teve na Idade Média.  O avanço da Biologia, aliado ao desenvolvimento de métodos de datação por carbono e outros elementos radiativos, sepultaram, pelo menos no meio científico, aquela idéia de que tudo fora feito seis mil anos atrás.  Restou agora às religiões tentarem conciliar os relatos divinos com a idade do universo.  Surgiram interpretações de que cada dia da criação não teria sido um dia, mas uma era geológica.  Universidade religiosas tem formado cientistas com a finalidade de lançar dúvida sobre a evolução biológica, tentando provar que é impossível os seres vivos terem-se evoluído de bactérias.  E hoje, aquela igreja que tanto matou em defesa da palavra sagrada já admite a evolução, tentando, contudo, manter a crença de que esse deus tenha sido o autor de tudo.  Todavia, algumas religiões mais conservadores continuam debatendo contra as evidências, insistindo que não descendemos de uma mesma família ancestral de todos os outros animais.

 

Ante o avanço do conhecimento e a existência cada vez maior de grupos que não veem nenhuma lógica para aceitar a existência de um ser sobrenatural criador de todas as coisas em que creem as igrejas, muitas delas ainda tenta impor a fé mediante leis, ameaças e até terrorismo.  Na Índia, onde o catolicismo tem um pouco mais de poder político, um cientista precisou fugir recentemente para não ser preso e condenado por blasfêmia quando mostrou que o que os religiosos chamavam de milagre era uma simples infiltração, que colocava em risco a saúda das pessoas que tomavam da água que pingava de uma imagem.  Nos Estados Unidos, religiões tentam impor seus ensinos e até proibir a Ciência de mostrar a evolução biológica nas escolas.  No Brasil, parlamentares evangélicos lutam para legislar contra quem não acredita em suas crenças, tentam impor comportamentos e proibir aquilo que acham ser contra a vontade divina, surgindo até projeto de lei para multar quem fizer piada sobre religião.  Mas o pior, que tem assustando o mundo atualmente e tem ganhado poder, é o terrorismo praticado por religiosos que levam mais a sério suas verdades divinas: “Deus cobrará dos fiéis o sacrifício de seus bens e pessoas, em troca do Paraíso. Combaterão pela causa de Deus, matarão e serão mortos” (Alcorão, Surata 9:111).  Essa é a maior ameaça que persiste em nosso século: grupos cada vez mais poderosos que praticam tortura e morte para impor suas loucuras ao mundo, acreditando que estão fazendo a vontade de um deus.

 

A onisciência divina não passa de ideias de homens primitivos que não podem ter lugar no mundo atual, onde não resta dúvida de que a Terra não é o centro do universo nem é algo plano a flutuar sobre as águas oceânicas, e temos prova de que o universo não tem seis mil anos, mas bilhões, e a biologia provou que somos parentes bem próximos dos chimpanzés e temos parentesco até com as bactérias.  Não obstante ainda defendido por milhões de pessoas, o deus dos judeus se enganou tanto quanto os homens que o criou.
 

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