POR QUE HÁ UM SÓ DEUS? OU SÃO DOIS?   (21/05/2013)
Crônicas
Por: João de Freitas Pereira

Há um só deus, onipotente, dono de toda a verdade. Isso, porque todos os outros deuses foram por ele destruídos. Desconfio, porém, que até ainda podem existir dois.

No passado, a comunidade dos deuses era enorme. Havia o deus do fogo, o deus da chuva, o deus dos rios, o deus dos mares, o deus da guerra, o deus da fertilidade, a deusa do amor, deuses benignos e deuses malignos, deuses e deusas em abundância. Havia um deus na forma do boi, outro na forma do cavalo, outro na forma da cobra... enfim, cada espécie animal era a representação de um deus na Terra. Cada fenômeno da natureza tinha seu deus.

Mas o mundo divino não era uma eterna paz como muita gente imagina. Havia mais guerras entre eles do que entre judeus e muçulmanos. Vez ou outra um deus era eliminado por outro.

Jeová, o deus antropomorfo, criador do homem, o mais inteligente, tornou-se o todo-poderoso, conseguindo destruir todos os outros deuses e reinar sozinho para sempre.

Jeová é um deus machista. Encheu o céu de anjos, mas nem uma anjinha deixou para eles. E quando percebeu que os homens, os senhores da Terra, estavam adorando os outros deuses e cometendo muitas outras desobediências, enviou uma inundação tamanha, que afogou toda a humanidade, com exceção de uma família que escolheu para perpetuar a sua representação terrena. Não tardou muito, os descendentes dessa família começaram a adorar os outros deuses também. Então Jeová não quis mais aniqüilar de uma vez tanta gente. Escolheu para si um único povo e foi categórico: “Não terás outros deuses diante de mim”. Aí daquele que desobedecesse! Ele ameaçou com vingança até a quarta geração daqueles que o aborrecessem. E deu exemplo disso, quando seu sábio Salomão resolveu também adorar os outros deuses: com sua forma estranha de fazer justiça, não castigou o politeísta, mas vingou sobre seu filho, tal qual havia dito.

E, em seu extremo machismo, Jeová rebaixou a mulher à categoria de coisa do homem. Disse: “Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu boi, nem seu jumento... coisa alguma que pertença ao seu próximo”.

Vendo que os povos vizinhos, além de adorarem os outros deuses, seduziam o seu escolhido a fazê-lo também, Jeová resolveu radicalizar mais: mandou seu povo matar as nações que adorassem os outros deuses. Foi uma tremenda carnificina. Israel, a nação eleita, destruiu muitas nações.

Vez ou outra, não se sabe se por descuido de Jeová ou por gosto de castigar seu povo, Israel era massacrado por algum adorador de deus estranho. Contudo, os eleitos seguiram seus altos-e-baixos, ora por cima, ora por baixo, mas confiantes em Jeová.

Para ver se seu povo melhorava, Jeová resolveu enviar seu próprio filho para ser um novo rei. Mas eles, que, como os nossos governantes, sempre procuravam satisfazer aos donos do mundo de então, meteram o cacete no deus filho, e o entregaram para ser pregado em uma cruz, mantendo por mais uns tempos o apoio externo. Entretanto, não demorou muito, o império dominante ficou insatisfeito, destruiu a cidade santa e dispersou o povo santo pelo mundo. Curiosamente, com o passar de algum tempo, o império passou a adorar aquele a quem havia crucificado e virou a mais poderosa testemunha de Jeová. Aí foi que a ira de Jeová se manifestou duramente no mundo. Bastava alguém dizer que a terra era redonda, para ser lançado no fogo pelos representantes do pacato filho de deus.

E os novos representantes do todo-poderoso impuseram a vontade dele a todo o mundo novo que foi descobrindo. Nem os pobres selvagens do outro lado do Atlântico escaparam. Foram, como dizem, “catequizados”. Assim, os outros deuses foram sendo esquecidos.

Hoje, após todos esses milênios de luta de Jeová, ainda existem alguns povos atrasados, que desconhecem a vitória do onipotente e adora alguns outros deuses. Mas o mundo mais civilizado crê somente em Jeová, a quem passou a chamar simplesmente “DEUS”, uma vez que não mais existe nenhum outro deus. Dizem que o “Alá” dos muçulmanos é o mesmo “Jeová” dos judeus. Mas parece não ser. Eles vivem querendo eliminar uns aos outros. Desconfio que ainda existem dois deuses pondo seus povos em guerra. Um diz estar fazendo a vontade de Jeová e o outro diz estar executando a vontade de Alá e não param de se matar mutuamente. Isso parece ser coisa de dois deuses rivais. Deve haver algum engano nessa história.



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