O QUE NOS TORNA DIFERENTES DOS OUTROS ANIMAIS   (09/02/2015)
Ciência
Por: João de Freitas Pereira

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Dawkins escreve sobre o que nos torna seres humanos
por Richard Dawkins
 


Nosso grande cérebro começou a evoluir quando começamos a andar sobre duas pernas
 

Os seres humanos são animais. Não são plantas nem bactérias, são animais — primos dos macacos africanos chimpanzés, bonobos e gorilas. Os macacos asiáticos (orangotangos e gibões) são primos mais distantes.

Assim, uma maneira de compreender o que nos torna humanos é perguntar: "O que nos faz diferente dos macacos, e do resto do reino animal?" O que nos torna especial?

Por exemplo, diferentemente de todos os outros macacos, andamos sobre duas pernas, o que libera nossas mãos para fazer todo tipo de coisas. E (talvez uma coisa esteja ligada a outra) temos cérebros muito maiores do que outros macacos.

Há outra maneira de fazer a pergunta: "O que nos torna humanos?" "Quais são as características que nos tornam humanos em oposição ao brutal?"

Temos grandes cérebros. As demais espécies são marcadas por outras características. Andorinhões e albatrozes são espetacularmente bons voadores. Cães e rinocerontes têm bom faro. Morcegos possuem sistema de captação de som bem desenvolvido. Toupeiras e porcos da terra são especializados em cavar.


Outras espécies podem se comunicar, mas nenhuma possuem verdadeira linguagem com gramática
.

Nenhuma outra espécie tem literatura, música, arte, matemática ou ciência. Nenhuma outra espécie faz livros ou máquinas complicadas, como carros, computadores e colheitadeiras.

Nenhuma outra espécie dedica tempo substancial em atividades que não contribuem diretamente para a sua sobrevivência ou reprodução.

Nossos grandes cérebros evoluíram após começarmos a andar sobre duas pernas. Agora podemos traçar nossa ancestralidade por intermédio de uma série contínua de fósseis, e estamos confiantes de que nossos antepassados ??de três milhões de anos eram membros do gênero Australopithecus.

O Australopithecus mais conhecido é Lucy — assim chamado porque a vitrola do acampamento da missão exploradora na Etiópia estava tocando Lucy In The Sky With Diamonds, dos Beatles, quando os caçadores de fósseis voltaram com a importante notícia da descoberta.

Lucy tinha um cérebro do tamanho do de um chimpanzé, mas ela caminhava sobre as patas traseiras. Provavelmente é por acaso que o nosso cérebro começou a inchar como um balão evolutivo após as nossas mãos terem sido libertadas do fardo de andar. E as mãos ficaram livres para manipular ferramentas e transportar alimentos.

Os seres humanos têm mostrado como são especiais. Há 50.000 tínhamos os mesmos corpos e cérebros que temos hoje e provavelmente já usávamos a articulação da fala para nos comunicarmos. Mas nós ainda não tínhamos algo que pudesse se chamado de arte e nossos artefatos estavam limitados aos funcionais — ferramentas de pedra para a caça e abate, por exemplo.

Isso mudou em torno de 40 mil anos atrás, quando o registro arqueológico mostra um florescimento magnífico e repentino de arte, incluindo até mesmo instrumentos musicais.

A evolução cultural — o que supera por ordens de magnitude a evolução genética — foi um grande avanço para a espécie humana. Em seguida, veio a transição do caçador/coletor para o desenvolvimento da agricultura, e logo [no tempo histórico] sugiram as cidades, mercados, governos, religião e guerra.

A Revolução Industrial expandiu as cidades em megalópoles, impulsionando a nossa espécie para todo o mundo (e potencialmente desastroso) dominação, até mesmo para chegar à Lua e rumo aos planetas.

Ao mesmo tempo, a mente humana tem se estendido para o universo mais amplo, e muito além das limitações de tempo de uma vida humana.

Sabemos agora que o mundo ??é uma minúscula partícula orbitando uma pequena estrela entre algumas centenas de bilhões de estrelas, em uma galáxia média entre algumas centenas de bilhões de galáxias.

Sabemos que o mundo começou a 4,6 bilhões de anos, e o universo 13,8 bilhões. Entendemos o processo de nossa evolução e que vida tem como base o DNA.

Há muito coisa que ainda não compreendemos, mas estamos trabalhando nisso. E o desejo de fazê-lo é talvez a mais inspiradora de todas as qualidades únicas que nos tornam humanos.


Este texto foi publicado originalmente no NewStatesman.

http://www.paulopes.com.br/2014/01/dawkins-escreve-sobre-o-que-nos-torna-humanos.html

 

O problema maior atualmente é que ainda existe uma grande maioria dos mais de sete bilhões de humanos deste planeta que parece não ter passado por toda essa evolução, preferindo acreditar que a humanidade foi criada seis mil anos atrás exatamente como somos.



1878 exibições


Avalicações
Excelente: 0
Bom: 0
Regular: 0
Ruim: 2

AVALIE ESSE TEXTO


Você gosta de escrever? Quer um espaço para divulgar suas ideias sem pagar provedor?  Clique em crie sua conta, faça seu cadastro e comece a escrever.  Não lhe custará nada, e você poderá estar contribuindo na defesa de um pensamento.

4 usuário(s) online