O Monge, o Executivo e o Futebol   (28/07/2016)
Teses / Monólogos
Por: silas correa leite
O Monge, o Executivo e o Futebol O que um Monge e um Executivo podem aprender com o Futebol? Quase tudo. No futebol é preciso definir um propósito a curto, médio e longo prazo, além de muito bem pesquisar as regras do embate, ainda deve existir um notório sentido comunitário da equipe de ponta a ponta, todos visando atingir as metas com disposição pessoal e nesse mesmo enfoque um sacrifício coletivo-solidário, de preferência com o grupo literalmente correndo atrás dos resultados também por puro prazer, o que é melhor ainda. Dar de goleada quando tudo funciona direitinho, e ainda assim, altamente profissionais sabendo conscientemente que um jogo por si não é tudo, uma eventual goleada não deve empolgar ou turvar visões maiores; devem ser todos por um, todos por todos, da preparação física à estratégia; do esquema tático e do desenho do jogo com dedicação total a um objetivo determinado em comum que é único e que vale ouro, vale o campeonato, vale a taça, vale o troféu, vale o título. Ser campeão não é pra qualquer um. Um jogador só não ganha o jogo, nem o campeonato salvo raras e honrosas exceções, Pelé, Garrincha, Sócrates, Zico, Tostão, Falcão e Rivelino a parte. O Executivo, medidas as proporções, passa por um caminho motivacional que é único. Tem um objetivo que é o motor que o nutre, viça estratégias, empenha ideais, alavanca lucros, claro. Um executivo trabalha com projetos. Tem que estar inserido nele de corpo e alma. Um Monge também tem o seu lado zen-filosófico-conceitual para a concentração plena, a consciência do todo num contexto de amplos horizontes, visando a postura equilibrada em que possa afirmar com coragem limpa e a consciência plena: -Vou em busca da verdade. E a verdade é santa. O Monge e o Executivo pensam – e têm que elucidar racionalmente o verbo Pensar - a partir de propostas e soluções, interesses e traquejos, sempre embasados em estruturas funcionais qualificadas, para os positivos resultados potenciais pretendidos. Esse é o eixo norteador. O Futebol ensina o confronto para o sucesso, onde vence quem se preparou melhor, usou a melhor funcionabilidade das peças bem distribuídas em campo; onde vence quem vê melhor o jogo, com mais lucidez pensa claro e abrangente, assume a partida em pleno nó disposicional recíproco. E vira capitão de fato, torna-se um líder nato, o dínamo que ganha o clássico. De improviso só a finta, o passe, o instante-luz do arremate certo, de enxergar o lance antes, quase que uma visão. Mas não é pra qualquer um. O futebol ensina o risco consciente e medido, a estratégia operacional certa para cada peleja específica, o potencial do adversário estudado a exaustão, cada peça do conjunto sendo por si mesma hábil e objetiva, para que os resultados grupais apareçam na seqüência evolutiva. Cada time é uma empresa. Há metas. Cada técnico um monge calculista visando a perfeição? Tudo é jogo de certa forma. Tudo é futebol enquanto uma luta de grupos, o gol é o lucro, a bola é o centro operacional de um núcleo condutor ao sucesso. Passe errado, derrota, fiasco em campo, pipocar na hora certa, tudo isso é bola fora. Erro grave que joga contra. Uma equipe é uma empresa. A concorrência é pra medir quem é bom. O sucesso não acontece por acaso. Quando entram em campo os monges como Luxemburgo, Muricy, Carlos Alberto Parreira, Felipão, Leão, Tite, é que a equipe bem orientada parte pro rachão, adquire refinamento físico no entrosamento para a disputa. Do treino para o diálogo, com propostas técnicas e cada jogador certo no lugar certo, no preparo e na medida certa, quando todo o elenco operacional cria sentido de união em busca do resultado. A leitura estratégica do jogo vira molde funcional e comum a todos, como uma espinha dorsal de um verdadeiro time com pinta e pompa de campeão. Um troféu não é pra qualquer um e nem por acaso. Ninguém ganha jogo sozinho. Gênio sabe que tudo é soma. Cada treinador feito assim uma espécie de monge pensador, tem seu estilo operacional todo próprio, além do domínio tecnicista do que tem em mãos e de como, no decorrer na empreita, tem que mudar peças, incentivar quando erram, cobrar mais empenho, para virar a partida, sair-se bem. As vezes também, numa derrota, se conhece o vencedor. Uma lição depois da perda vale ouro. Cada executivo moderno sabe muito bem que, água-com-açúcar e improviso fora de hora, é para quem não tem noção de ganhos e obstáculos a serem superados. Amador pensa pequeno. Derrotados às vezes não enxergam a leitura do óbvio. O futebol, ao contrário do que veicula o adágio popular, não é uma caixinha de surpresas. Emoção é pra torcedor irado que pensa com o coração na ponta da língua, a vista turva. O que é difícil, é pra gente forte, determinada, conquistadora, que ensaia e treina tudo em conjunto. Futebol é conjunto. Empresa também. Sim, o futebol ensina. Surpresas acontecem. Mas o fator surpresa é exceção, como um olé no irevir do suingue gingado do Mane Garrincha, um maravilhoso drible elástico do Rivelino, o potencial muscular, de arranque e criativo do Pelé que tabelava com a perna murcha do zagueiro adversário. Já pensou? Times bons na escalação, no papel, às vezes por falta de comando perdem feio. Alguns frágeis craques têm o ego doentio. Têm que ser cobrados pois não gostam de marcação homem a homem. Marias Chuteiras pesam cabeças, consciências e estorvos bancários. Aliás, as chuteiras por si mesmas não funcionam. Alguns times até eventualmente fracos surpreendem. Isso quer dizer alguma coisa? Vivemos de desafios. Você vai querer perder pra você mesmo? Como entender aquela zebra? Que peça falhou? Ou as viradas depois de uma quase derrota já por três a zero. O que aconteceu? Ou de como o próprio Corinthians que num jogo da Libertadores da América perdia um jogo importante com dois jogadores a menos, e no entanto se superou, com raça, com ousadia do treinador, com a visão explicita, imediatista e emergencial de dois ou três craques virou a cara do duro jogo internacional, reverteu o placar, mesmo com o árbitro “roubando” pro adversário. Tudo é possível. Foi um show de competência em todos os sentidos que se somaram. O Monge, o Executivo e o Futebol se encontram no mesmo frio tabuleiro de empreitas. Todos visam um alvo. Quem pensa vence. Quem planeja pensa melhor. Ganhar é para quem bem avalia prós e contras, mesmo nas adversidades. Essa é a idéia. Com o material humano que temos em mãos, temos que saber o que fazer. Não há peça de reposição para jogador com raça, senso crítico e lucidez limpa ali no trato fino da bola em campo. Esse faz a diferença. Ganhar é para quem sabe sacar o andamento da partida, o devir, a própria probabilidade do resultado almejado; mexe no time que está perdendo, marca as peças chaves, tem competência racional-estratégica para ir pra cima do adversário ali no olho do furacão, no anticlímax do momento crucial, e mostrar, na prática, em campo, o espírito ganhador. Nada é de graça. Nada é fortuito. Na vida também é assim. Problemas existem para resultarem em conquistas. Essa é a idéia da evolução da espécie, do currículo, do sucesso. Gerenciamento técnico-administrativo-funcional. Torcida não joga. Cartola não apita nada. Árbitro passa despercebido quando é bom e os times jogam o jogo. Árbitro problemático quer aparecer mais do que a bola. Não se enxerga. Há os que sonham ser craques e acabam na arquibancada da vida, levando chapéu de falastrões da turma do amendoim. Torcidas organizadas são mal organizadas, às vezes nem torcidas são. São gangues. No jogo vale do cerca-lourenço ao chamado drible da vaca, da embaixadinha a catimba; o olé depois do jogo ganho com bela vantagem. Tudo a partir das consistências dos treinos, sempre visando o flanco fraco da zaga, buscando uma falha defensiva. É na derrota que se conhece o campeão. Não há time imbatível. Há aprendizados nas perdas e ganhos. Você tem que potencializar planejamentos, ser competente na administração de egos em grupo, bancar estrutura, metodologias, responsabilidades afins e objetivos cristalinos. Por etapas. Ninguém ganha na marra, no grito. Monge e Executivo sabem o que almejam para o sucesso, qualquer que seja o espírito dele. Ser vencedor é gostoso. É um prêmio de competência. É isso e confiar, ou ficar no chove e não molha do chuveirinho viciado na área, confiando na força da torcida fanática; no gol contra do zagueiro cabeça-de-bagre, no árbitro dando um gol apesar do impedimento, ou do ocasional chute de bicuda de um Terto ou um Ataliba qualquer, quando o suposto clássico não mereceu sair do zero a zero. Deus adora vencedores. Vai ficar ai reclamando da bandeirinha? -0- Silas Corrêa Leite – Da Estância boêmia de Itararé-SP/Brasil E-mail direto: poesilas@terra.com.br Teórico da Educação, Crítico Social e Jornalista Comunitário Pós-graduado em Literatura na Comunicação, Inteligência Emocional e Direitos Humanos (USP) Autor de Porta-Lapsos, Poemas

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