O MITO DA PAUTA BOMBA   (22/09/2015)
Cartas
Por: João de Freitas Pereira

 O mito da “pauta bomba” do Congresso
Por lucianohenrique on 6 de agosto de 2015 • ( 23 )

Valendo-se do já manjado recurso de transferência de responsabilidade, o PT aponta para as decisões do Congresso na hora de definir “os culpados pelo agravamento da crise”.

O lero-lero de Kennedy Alencar é sintomático deste padrão. Segundo o jornalista chapa-branca, os partidos políticos agem com “irresponsabilidade econômica na Câmara”. Para ele, “o apelo feito pelo vice-presidente da República e articulador político do governo, Michel Temer, deve ser visto como alerta e prova do agravamento da crise política”.

Por esta perspectiva, se há uma parte de responsabilidade do PT, ela reside apenas na articulação política. Alencar afirma: “Nem o PT votou a favor do Palácio do Planalto, o que demonstra um alto grau de irresponsabilidade do partido do governo numa hora de crise. Se nem o PT fica com o governo, outros partidos aliados se sentem confortáveis para derrotar a presidente Dilma Rousseff. Portanto, a culpa maior pelo agravamento da crise é a incapacidade política do governo Dilma”.

Daí emenda: “Câmara deveria ter demonstrado maior responsabilidade”. Em seguida, conclui: “isto tem nome: sabotagem política do governo utilizando a Câmara e prejudicando a economia. A oposição também fica mal na foto. É coadjuvante de Eduardo Cunha e se comporta com irresponsabilidade política e econômica”.

Entenderam?

Na narrativa de Alencar, o PT é responsável apenas por não ter colocado o Congresso sob o cabresto. De resto, as ações do Congresso no momento de aprovar suas propostas e rejeitar as do governo é que tem amplificado a crise. (Claro que em outros textos, os petistas também culpam a mídia, os coxinhas, a crise internacional, dentre outras transferências. Mas o fato é que o discurso da “pauta bomba do Congresso como o maior agravador da crise do momento” tem sido recitado mais incisivamente da semana passada para cá)

Podemos dizer que existe qualquer responsabilidade do Congresso? Será que é racional acreditar que à boa intenção do governo se contrapõem os interesses mesquinhos do Congresso? É verdade que há um conflito entre o bem (o PT) e o mal (o Congresso)? O ceticismo novamente nos exige uma investigação mais apurada.

A grande verdade é que as propostas recentemente aprovadas ou rejeitadas pelo Congresso são praticamente irrelevantes no que diz respeito ao gasto público. Ao contrário, algumas dessas propostas chegam até a restringir o direito do governo gastar à vontade. Na busca por um culpado pelo “agravamento da crise”, não podemos encontrá-lo no Congresso.

O culpado está em outro lugar: no governo petista. Enquanto vemos notícias dizendo que “nova proposta aprovada vai gerar 2,1 bilhões de gastos” ou “correção conforme inflação aumentará os gastos em 3,5 bilhões”, a narrativa desonesta do PT omite um fato: até o presente momento, nada se falou quanto ao gasto de R$ 400 bilhões por ano com os 39 ministérios de Dilma, valor que em momentos de crise poderia ser reduzido, no mínimo, à metade. Isto se o governo petista tivesse qualquer tipo de compromisso com o povo.

O PT se recusa a fazer essa redução, uma vez que está comprometido com os projetos do Foro de São Paulo, com o aparelhamento do estado para bancar a “cumpanheirada” (com uma infinidade de cargos comissionados) e demais gastos com um único fim: manter o poder.

Se há uma pauta bomba, esta é aquela que descreve o projeto petista. Qualquer conversa pedindo “ei, Congresso, me ajude a reduzir gastos”, sem a redução pela metade do gasto com os ministérios, é no mínimo imoral. Seria o mesmo que cortar despesas familiares de educação e saúde, para continuar mantendo a mania do esposo de sair com prostitutas caras duas vezes com semana. Ora, este é o gasto que deveria ser eliminado primeiro. Não o gasto com a saúde e a educação dos filhos. Pelo mesmo princípio, a redução de gastos mais urgente a ser feita está nos ministérios petistas.

Aqui algumas ideias. Que tal eliminar a FUNARTE? Extinguir a Lei Rouanet? Ou mesmo eliminar os investimentos de publicidade de estatais monopolistas (que, como tal, não concorrem e não precisam gastar em anúncios)? Que tal eliminar 75% dos cargos comissionados? O PT sabe que a cada ação deste tipo atingirá radicalmente sua base de apoio, que troca verba estatal por endosso a um projeto totalitário.

A “pauta bomba do Congresso” é um mito. Mas a pauta bomba do PT continua vigente, irretocável e escondida por um discurso cínico de transferência da responsabilidade do partido aos outros. Já passou da hora de ridicularizar qualquer petista que venha com o discursinho de “pauta bomba do Congresso”. Safadeza tem limites. E essa desonestidade intelectual do PT está custando muito caro a todos nós.

http://lucianoayan.com/2015/08/06/o-mito-da-pauta-bomba-do-congresso/#comment-62245

 

IRRESPONSABILIDADE!

Esses jornalistas que alerdeiam por aí que é uma irresponsabilidade do Congresso se derrubar o veto da Presidenta ao reajuste dos funcionários do Judiciário,
a eles eu pergunto:
Se fossem eles que estivesse há nove anos sem recomposição das perdas salariais, e o governo decidisse que eles deveriam continuar sem reajuste para não prejudicar a economia das empresas onde eles trabalham, estariam eles a favor do governo? Diriam ser irresponsabilidade do Congresso defender o direito deles?
 

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