O DIA EM QUE FUI AO CÉU   (29/11/2011)
Crônicas
Por: João de Freitas Pereira

Lá estava eu naquela manhã, planejando as pancadas que iria dar naqueles colegas que gostavam de zombar de mim, coisa das que eu mais fazia na escola.

Subitamente, apareceu uma porção de pessoas, todos nossos vizinhos, e fiquei sabendo que era hora de ir para o céu.

Avisei minha família, inclusive minha irmã mais velha, que estava no tear fazendo cobertor e me disse que iria trabalhar um pouco mais, depois iria para o céu.

No grupo dos que iam para o céu estava o sogro do meu irmão, um senhor muito católico, que fazia uma reunião de oração cada fim de semana alternando entre as residências dos vizinhos. Parece-me que cem por cento da população vizinha eram católicos.

Quando eu já estava esquecido das brigas e começando a caminhar rumo ao céu, caminho que começava com uma montanha ao norte da minha casa, o Sr. Antônio Virgílio, o referido rezador, disse: “O Joãozinho não pode ir para o céu não”. Ele era bem conhecedor das minhas tendências para as brigas, o que me fez sentir certo susto, já que ele era também alguém considerado de bom caráter e muito dedicado às coisas espirituais.

Mas, para minha salvação, um outro vizinho muito amigo disse imediatamente: “Não, sô Antonho, Deus deu orde dele i, uai!”; ao que o Sr. Antônio não se opôs. E eu fiquei feliz nesse momento.

Daí, caminhamos pela íngreme montanha em direção ao céu. E o céu não parecia estar muito distante. Chegamos rapidinho lá.

Parando na porta do céu, nem me lembrava das outras pessoas que foram comigo. Só fiquei observando o ambiente. Havia uma cerquinha de pau a pique, igualzinha a umas que eu via muito pela região, que estava fazendo a fronteira entre o céu e o inferno. Não me lembro das pessoas que estavam no céu; mas via uma pessoas chorando baixinho no lado do inferno. Não vi aquelas chamas que me diziam existir no inferno, nem vi o Diabo. No céu, vi Deus, um homem idoso bem grande assentado.

Em determinados momentos, observei que alguns dos que estavam no inferno saltaram por sobre a cerca e passaram para o lado do céu. Mas eu ficava observando, fora daqueles dois ambientes opostos.

Antes que eu decidisse entrar no céu – no inferno não ia querer entrar mesmo -, eu me despertei.



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