JESUS CRISTO NO PODER   (02/09/2014)
Economia e Política
Por: João de Freitas Pereira

Texto escrito em 2010

 

"Candidata do PT à Presidência da República divulgou carta a líderes religiosos em que reafirma ser contra o aborto e promete não violar a liberdade de crença.  Mas optou por excluir menções a casamento ou união civil entre homossexuais. Foram impressos 2 milhões de cópias, que serão distribuídas hoje e amanhã em missas e cultos no país. Ao mesmo tempo, o candidato tucano, José Serra, espalhou santinhos com sua foto e os dizeres 'Jesus é a Verdade e a justiça', em encontro com professores em São Paulo." (Estado de Minas, 16 de outubro de 2010.


Ser contra o aborto é uma liberdade que Dilma, como todos nós, deve sempre ter.  E, quem é a favor deveria ter também essa liberdade.  E "não violar a liberdade de crença" é um dever do estado de direito.

 

Todavia, quanto ao dizer de José Serra, fica uma dúvida.  É "a Verdade e a justiça" o Jesus manso e humilde de coração, ou aquele Jesus que agrediu e expulsou os comerciantes de animais de sacrifício do templo de Jerusalém (Mateus, 21:12, 13)?

 

Vender pombos no templo de Jerusalém era uma necessidade do mercado ante a exigência de sacrifício da lei de Javé.  Mas, para o cristianismo isso era um mal.

 

Será que nossos políticos pretendem colocar Jesus no poder e começar a proibir tudo que não pertença a suas práticas religiosas?   Fala-se em liberdade de crença, mas parece que se quer imposição de prática, como a igreja fazia na Idade Média.  A liberdade continua em risco.

....................

 

Isso se deu em 2010.  E agora, em 2014?   Parece que a intenção de colocar Jesus Cristo no Poder está ainda mais forte.  Há gente pretendendo "estabelecer princípios cristãos" no país; ou seja, impor idéias religiosas à população.

 

"O governo Dilma Rousseff (PT) elabora um conjunto de ações para tentar conter o avanço de Marina Silva (PSB) com medidas que incluem o atendimento a uma das principais bandeiras evangélicas no Congresso: o apoio à Lei Geral das Religiões.
Segundo a Folha apurou, uma das iniciativas do Palácio do Planalto será desengavetar o projeto, proposto em 2009 e há mais de um ano parado em uma comissão do Senado, para conceder diversos benefícios a instituições religiosas, entre eles tributários.
Como primeiro ato do "pacote anti-Marina", o Planalto determinará nesta semana o status de urgência à proposta, o que permitirá ao projeto pular etapas de tramitação e ganhar prioridade de votação.
O texto estende a igrejas evangélicas e outras denominações religiosas benefícios concedidos pelo governo brasileiro à Igreja Católica, a partir de um acordo feito com a Santa Sé em 2008.
Trata-se de tentativa de furar a adesão das igrejas pentecostais à campanha de Marina Silva, que é evangélica.
O projeto da Lei Geral das Religiões já foi aprovado pela Câmara e está na Comissão de Assuntos Sociais do Senado.
Entre outros pontos, ele concede às associações das igrejas que tiverem reconhecida ação social os mesmos benefícios tributários concedidos às filantrópicas.
Também prevê que fiéis que ajudam no dia a dia das igrejas não terão vínculo empregatício para evitar ações trabalhistas e dá uma proteção especial contra a desapropriação e a penhora dos bens das igrejas.
Pelo projeto, a imunidade tributária é garantida "às pessoas jurídicas e eclesiásticas e religiosas, assim como ao patrimônio, renda e serviços relacionados com as suas finalidades essenciais".
EMPRESÁRIOS
A ofensiva petista para neutralizar Marina também contará com uma força-tarefa para afirmar a empresários que o programa da rival travará o gasto público em infraestrutura e provocará desemprego.
O plano petista prevê ainda a facilitação de crédito ao setor privado. A Folha apurou que o ex-presidente Lula cobrou do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, medidas para facilitar o financiamento de empresas para tentar animar a economia.
Além de Lula, o PT quer escalar o ex-ministro Antonio Palocci e o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) para atrair o setor produtivo.
Em outra frente, devem ser anunciadas ações incluídas no programa de Marina. Uma das ideias é turbinar a escola em tempo integral, um dos eixos do plano da candidata do PSB para o setor de educação.
Neste mês, Dilma detalhará seu programa de governo e pretende inserir antídotos contra o avanço de Marina, com atenção para medidas que contemplem jovens e eleitores de grandes centros urbanos, faixas onde ela concentra muito vigor eleitoral.
A rápida ascensão de sua ex-ministra do Meio Ambiente deixou Lula preocupado com o fato de até hoje o governo não ter tomado uma medida mais clara para se reaproximar de empresários.
Com a força-tarefa, o objetivo é instar parte do setor produtivo contemplado por benefícios federais a defender o projeto de Dilma.
Um dos argumentos do comitê eleitoral é o de que a proposta de Marina de independência absoluta do Banco Central acarretará uma fuga de gastos públicos para estimular a economia e aumentará o risco de desemprego.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/09/1509461-governo-reage-a-marina-com-apoio-a-igrejas.shtml

02/09/2014

 

Aí está o problema.  Temendo o abandono dos religiosos, a candidata à reeleição está cendendo aos intentos das ingrejas de tomar o poder.

 



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