IMORTALIDADE   (28/02/2014)
Filosofia
Por: Grandes Pensadores

"Quando se coloca o centro de gravidade da vida, não na própria vida, mas no “além”— no nada— na verdade se retirou da vida seu centro de gravidade. A grande mentira de imortalidade pessoal destrói toda a razão, todo o instinto natural— daqui em diante, tudo o que há nos instintos que seja benéfico, que estimule a vida e assegure o futuro é causa de desconfiança. Viver de maneira que a vida não tenha mais qualquer sentido, é esse agora o “sentido da vida”... Por que ter espírito público? Por que ter orgulho da origem e dos antepassados? Para que trabalhar em conjunto, confiar uns nos outros, ou preocupar-se com o bem-estar geral e a ele servir?... Tantas “tentações”, com tantas distrações do “caminho certo”...— “Apenas uma coisa é necessária”... Que todo homem, por ter uma “alma imortal”, seria tão bom quanto qualquer outro homem; que no universo infinito das coisas, a “salvação” de todo indivíduo possa reivindicar uma importância eterna; que os ‘santarrões’ insignificantes e três ou quatro desequilibrados possam imaginar que as leis da natureza são constantemente transgredidas em seu favor— é impossível expressar tamanho desprezo e tal proliferação de toda espécie de egoísmo até o infinito, até a insolência. No entanto, o cristianismo deve sua vitória precisamente a essa bajulação lamentável da vaidade pessoal — e foi assim que atraiu para o seu lado todos os malogrados, os insatisfeitos, os decaídos de má sorte, todo o refugo e escória da humanidade."

(Friedrich Wilhelm Nietzsche, in "O Anti Cristo")



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