EVOLUCIONISMO VERSUS CRIACIONISMO   (28/07/2013)
Ciência
Por: João de Freitas Pereira

 

"Briga de titãs

Discussão entre adeptos da teoria da evolução de Darwin e defensores de um criador divino abala até estudantes e professores da área de ciências biológicas

  • Tatiana Sabadini

    Briga de Titãs

    De um lado, a ciência. Do outro, a religião. Duas formas de responder a uma única pergunta: qual é a origem da Terra e da vida? Há 150 anos, Charles Darwin revelava ao mundo que o homem veio do macaco, que os seres vivos fazem parte de um longo processo de evolução natural. O anúncio causou polêmica. Até então, Deus era considerado o responsável pela criação do homem e do universo. Um século e meio depois, o debate entre evolucionismo e criacionismo ainda está presente nos corredores das escolas e universidades de ciências. Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) mostra que a credibilidade da teoria evolução biológica entre os estudantes universitários ainda é baixa.

    Quase mil alunos de ciências biológicas, filosofia, física, geografia, história e química participaram da enquete. Mais da metade (57,3%) ficou em cima do muro. Eles aceitam a evolução biológica, mas acreditam que isso não descarta a existência de um Deus criador, enquanto 8,9% dos entrevistados rejeitaram totalmente a teoria de Darwin e creem apenas na versão da Bíblia para a criação. “Existe uma relação óbvia entre a religião dos estudantes e a aceitação do tema. Também descobrimos que, quanto menor o índice de escolaridade dos pais, maior a chance dos seus filhos rejeitarem a evolução biológica”, explica Rogério de Souza, um dos responsáveis pela pesquisa e professor de biologia da UEL.

    A concepção de que o homem e o Universo foram criados por Deus é a base do criacionismo. Apesar de aceitar algumas conclusões de Darwin, os criacionistas usam a Bíblia como fonte de indícios para a evolução e tentam ligar o sobrenatural e a ciência. “Nossa linha de pensamento é baseada na aceitação da existência de planejamento, projeto, desígnio e propósito na natureza”, afirma Ruy Carlos de Camargo Vieira, presidente da Sociedade Brasileira Criacionista, com sede em Brasília.

    Torcidas
    Para a professora de biologia da Universidade de Brasília Rosana Tidon, que nesta terça-feira ministra uma palestra na instituição sobre o tema, não é possível conciliar criacionismo com evolucionismo. “É como torcer contra e a favor do Flamengo ao mesmo tempo. Os criacionistas acreditam que a criação ocorreu 6 mil anos atrás e que não houve desenvolvimento profundo entre as espécies. Os evolucionistas não aceitam a teoria da criação, porque sabem que os seres vivos têm ancestrais comuns.”

    Ela acredita que alunos e até professores de ciências religiosos, em algum momentos, enfrentam um conflito na profissão. O fato de acreditar em Deus, no entanto, não faz do cientista um criacionista. “É possível conciliar ciência com religião, desde que uma parte não prejudique a outra. Se tem um Deus ou não por trás de tudo isso, a ciência não tem como comprovar. Ao mesmo tempo, um biólogo não pode negar a teoria de Darwin”, explica.

    Conciliação
    Criacionista, jornalista e autor do blog Criacionismo.com.br, Michelson Borges garante que o criacionismo não está baseado apenas na religião, mas também na ciência experimental. “Reconhecemos a Bíblia como fonte de princípios morais e de respostas satisfatórias para as perguntas fundamentais da humanidade, mas também temos estudos de biólogos criacionistas que pesquisam com outro ponto de vista”, diz. O relato bíblico é considerado fonte para essas pesquisas científicas. Segundo ele, ao contrário da concepção criacionista, o evolucionismo está baseado no fato de que a vida é resultado de causas puramente naturais. “Defendemos a ideia de propósito e planejamento, explicar a vida como resultado da ação criadora de um Deus que ainda hoje se relaciona com o ápice de sua criação: o ser humano.”

    Afinal, o mundo surgiu do acaso ou do planejamento? O debate é complexo e está longe do fim. Segundo os professores de biologia, para conciliar melhor a questão da fé e da ciência é preciso investir na educação. “Falta formação nas universidades, e os jovens só começam a aprender sobre evolução biológica no final do ensino médio e de forma sucinta”, afirma Rosana Tidon.

    Para Rogério de Souza, as aulas de ciência não oferecem respostas às dúvidas existenciais dos alunos, nem dá suporte suficiente para a teoria evolucionista. “Muitos acreditam que, ao aceitar a evolução biológica, terão que abdicar que uma crença divina e não é assim. Temos que nos cercar dos dados científicos da evolução biológica, chamando a atenção para os problemas que ainda precisam ser compreendidos. Ou seja, devemos dar aos nossos estudantes a chance de tirarem as suas próprias conclusões”, sugere o professor.

    EVOLUCIONISMO

    CRIACIONISMO

    A vida é um longo processo de evolução para o cientista Charles Darwin. Depois de anos de pesquisa, ele conclui que todo o ser vivo compartilha de um ancestral comum. A diversidade de espécies na Terra é consequência de um processo de milhões e milhões de anos.

    A diferença foi essencial para a evolução. Se todos os membros de um grupo tivessem nascido exatamente iguais a sobrevivência dependeria de simples acaso. A luta pela existência, e a adaptação ao ambiente fez com que os seres evoluísse e se transformassem.

    Para Darwin, a vida começou na água. Um organismo se formou e se desenvolveu lentamente até chegar em terra firme. Quando o cientista lançou o livro A Origem das Espécies em 1859 foi uma verdadeira revolução. Uma questão em particular causou polêmica: o homem era descendente do macaco. A Igreja e a sociedade criticaram Darwin por “degradar” o homem à condição de animal.

    “No princípio criou Deus os céus e a Terra.” A passagem de Gênesis da Bíblia traduz o pensamento dos criacionistas. O movimento acredita que Deus criou o universo, o nosso planeta e todas as formas de vida. Eles reconhecem que as espécies se desenvolveram e se modificaram mas de uma forma limitada.

    A origem da Terra está descrita na Bíblia. Em seis dias, Deus criou a terra, o céu, as plantas, o sol, o universo, os animais e o homem. As obras se manifestaram rapidamente para interagirem no novo ambiente. Adão e Eva foram criados para formarem a humanidade.

    Tempos depois da criação, a Terra foi dramaticamente alterada por causa de uma catástrofe, conhecida como o dilúvio do Gênesis. Com isso, algumas espécies de animais e plantas foram extintas, enquanto outras sofreram mutações.

    (Fonte: Estado de Minas, 28/06/2009, Caderno Ciência, pág. 24).

 

Esse embate irá continuar.  Impossível conciliar a religião com a ciência nesse campo.  As tentativas religiosas de adaptação nunca irão ter sucesso.   E, nos países mais bem educados, já está prevalecendo a ciência; todavia, em países atrasados, ainda cotinuará por algum tempo havendo muitos estudantes rejeitando aquilo que a arqueologia, a microscopia e a decodificação do genoma humano deixam fora de dúvida.

 



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