A ETERNA DECEPÇÃO ELEITORAL   (30/09/2014)
Economia e Política
Por: João de Freitas Pereira

A cada eleição que passa, ficamos mais decepcionados.  Na próxima ainda não sei o que vou fazer. 

 

Por muitos anos, ficamos na expectativa de que aquele operário que tanto lutava contra as injustiças políticas iria um dia chegar à presidência do país e tudo iria mudar.  Um dia chegou.  E algo mudou.  Mas o que vimos mudar não foi a condução da política do país, e sim o operário, que virou patrão.

 

Quase tudo que Lula condenava das práticas de FHC, ao chegar ao poder, ele passou a justificar e fazer.  Foi o chamado "estelionato eleitoral".

 

O desmantelamento da previdência dos servidores públicos, grande sonho de Fernando Henrique Cardoso, não pôde ser realizado, porque o PT, com grande peso no Congresso, o impediu de privatizar o setor.  Mas o inesperado estava por vir.

 

"Enquanto o PT era oposição, análises de economistas petistas informavam que o deficit previdenciário do Estado não resultava do pagamento das aposentadorias, mas sim dos desvios de dinheiro para outros setores, além das apropriações tão comuns. Agora, não; é o pagamento aos aposentados do setor público que gera um grande rombo na Previdência, e, não obstante termos desconto sobre todos os nossos vencimentos (não só em parte como os empregados das empresas privadas), sua intenção é igualar os proventos." (Lula lá, vendo as coisas por um outro ângulo)

 

O 'Partido dos Trabalhadores', que defendia uma previdência pública, agora no poder, o que fez?  Não só passou para o outro lado, mas comprou, com o dinheiro público, os votos de outros partidos, justamente para fazer aquilo que impediu o outro de fazer: privatizar a previdência dos servidores públicos!

 

Não reajustar os vencimentos dos servidores públicos era uma grande injustiça, prática de FHC.  Chegando ao poder, aquele que tanto combatia o desmantelamento do serviço público não podia dar reajustes.  Hoje, com Dilma no poder, piorou.  Após seis anos de perdas, ela ofereceu 15% dividido em três anos, ou seja, os quase 40% que perdemos nesses seis anos ficam mesmo perdidos, e teremos 15%, que não deverá cobrir as perdas desses próximos três anos.

 

Mas até aí, o grosso da população deve estar satisfeito. Funcionários públicos são uma pequena minoria entre os quase duzentos milhões de habitantes deste país, e, como o Estado vem destruindo gradativamente os serviços públicos, o povo detesta os funcionários, responsabilizando-os pelo que os governantes fazem.   O povo não sabe que a privatização da previdência é prejudicial a todos os trabalhadores, apenas proporcionando mais lucros a bancos.

 

Esse texto foi escrito em 2012, quando dilma Roussef piorou a situação dos funcionários públicos, que já vinham com sucessivas perdades durante os governos de FHC e Lula.

Se uma perda semelhante fosse imposta a todos os trabalhadores de empresas privadas, ocorreria uma recessão sem precedentes. Pois, com os salários extremamente reduzidos, a população teria que restringir severamente o consumo, as empresas não teriam mercado para seus produtos e serviços, aumentaria o desemprego, e consequentemente o Estado arrecadaria muito menos.  Mas, como os funcionários públicos são um número insignificante de pessoas em relação à população, o único efeito é piorar os serviços públicos.

 

E as perspectivas continuam sombrias para nós.  Pois, se tirarmos Dilma Roussef e colocarmos Aécio Neves, com certeza ele ainda cuidará de piorar mais a situação.  Já cheguei à conclusão de que defender trabalhadores e servidores públicos é coisa de candidato de oposição.  Quando chegam ao poder, todos eles se torna inimigos dos funcionários públicos.

 



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